domingo, 20 de março de 2011

73.

"Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras"

Mia Couto
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Fico sinceramente desapontada com a tamanha indelicadeza e ousadia presentes neste texto de opinião de Mia Couto. É ridícula toda a generalização feita pelo mesmo, típica de quem costas quentes sente pela bela carreira que tem, com ou sem esforço obtida. Fala de diplomas ilusórios, falta de conhecimento, duvidosa capacidade operacional, frustração e uma geração que "não sabe estar em lado nenhum". ... Afinal, servimos para quê? Carregados de defeitos, somos aqui criticados por lutarmos pelo que temos direito, por direito. Desculpe não sermos de "elite"...
De facto, são os meninos de "grandes cursos" que apoiam textos como este. É pena não termos todos aptidão para a Medicina... A questão é que a vida não é feita de comprimidos! Mas não, Mia Couto diz que temos falta de conhecimento!
Não discordo totalmente do que diz.. Há de facto jovens com percursos desses. Mas a "Geração à Rasca" não é caracterizada assim. Neste país ainda há quem trabalhe, quem tenha diplomas por mérito e mesmo assim ande à rasquinha.
Não queremos mandar no mundo, pelo que diz não temos sequer capacidade para isso. Queremos igualdade, oportunidade, reconhecimento e recompensa pelo esforço feito por nós e por quem, até então, nos sustenta. Não somos parvos, Mia Couto...

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